sexta-feira, 13 de julho de 2018

Meditação é a forma de sair da caverna

Acompanhei pela imprensa o caso dos garotos de um time de futebol que ficaram presos em uma caverna inundada. Após alguns dias, fiquei sabendo que o técnico do time (único adulto preso) era um ex-monge budista, da tradição Theravada, que é a forma de budismo mais popular na Tailândia.

Ekapol Chanthawong, de 25 anos, foi monge budista por 10 anos, tendo largado o manto para cuidar da sua avó, que passava por problemas de saúde. Ekapol deixou a vida monástica há 5 anos. Entretanto, seguia como praticante leigo do budismo Theravada. Segundo a BBC, ele frequentava o templo Wat Phra That Doi Wao, que fica próximo à fronteira com Mianmar.(https://www.bbc.com/mundo/noticias-internacional-44807895).

O que aguçou ainda mais a minha curiosidade foi saber que o ex-monge estava usando a meditação com os atletas-mirins, durante o tempo em que eles estavam na caverna.

A meditação é algo que tem se tornado pop nos últimos tempos. Mindfullness, yoga, vipassana, zazen... são muitos tipos de meditação disponíveis.

A ciência, inclusive, tem comprovado por meio de estudos, os inúmeros benefícios da meditação (https://veja.abril.com.br/saude/meditacao-ganha-enfim-aval-cientifico/)

Não precisamos esperar ficarmos literalmente trancados em uma caverna para começar a meditar. Fazendo uma analogia com a Alegoria da Caverna, de Platão, podemos afirmar que estamos, de qualquer modo, presos em uma caverna.

A meditação foi essencial para a sobrevivência dos meninos. Inclusive, segundo Thongchai Lertwilairattanapong, inspetor do departamento de saúde da Tailândia, eles estavam em boas condições de saúde e não estavam estressados (https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44794715). Ficar 17 dias preso em uma caverna e não apresentar estresse, já demonstra a capacidade que a meditação tem de ajudar a lidar com o sofrimento.

Entretanto, um tema que notei não estar na pauta da imprensa, é a morte. A chance de todos eles morrerem no interior da caverna era enorme. E seria uma morte desesperadoramente lenta. E eles sabiam disso. O mundo todo sabia disso. Entretanto, a ênfase dada pela imprensa aqui no Brasil, quanto à meditação, era apenas "saúde mental", "controle do estresse". Um pouco pela morte ser um tabu no ocidente, outro pouco pelo desconhecimento do budismo.

Tenho certeza que o ex-monástico usou sim a meditação como forma de evitar o desespero próprio e dos meninos, bem como para controlar o estresse. Mas certamente ele usou a meditação também para estimular estados mentais hábeis, tendo em vista a possível morte de todos.  A morte é tema de alguns discursos do Buda, sendo a contemplação dela um dos tipos de meditação presentes na tradição Theravada.

Deixo aqui uma citação de Ajahn Dtun, monge Theravada, sobre a contemplação da morte:


Contemplamos a morte a fim de nos lembrarmos de não sermos negligentes nas nossas vidas, procurando desenvolver e praticar a virtude o tanto quanto possível durante o tempo que ainda temos de vida. Assim, no decorrer da nossa prática mantemos os preceitos, desenvolvemos em nossas mentes a virtude, meditação e sabedoria.


Fontes

Sobre o budismo Theravada, Morte e Meditação:

Eu sei, mas eu não sei: Contemplação da Morte

Perguntas e Respostas

A Visão Budista da Morte: Uma entrevista com Bhante Gunaratana, com Samaneri Sudhamma e Margot Born 

Maranassati (pathama) Sutta Atenção Plena na Morte

Meditação ganha, enfim, aval científico

Notícias sobre os meninos da caverna:

https://www.bbc.com/mundo/noticias-internacional-44807895

https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44794715

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/07/saiba-quem-e-o-treinador-e-ex-monge-preso-com-garotos-em-caverna-da-tailandia.shtml

https://www.dn.pt/mundo/interior/-o-ultimo-na-lista-do-resgate-o-treinador-budista-que-ajudou-as-criancas-com-meditacao-9572130.html

https://br.noticias.yahoo.com/meditacao-tecnica-que-ajudou-os-meninos-sobreviveram-na-caverna-181427471.html




quarta-feira, 4 de julho de 2018

Sobre habilidades

Tenho pouquíssimas habilidades na vida. Sempre fui ruim com trabalhos manuais, cálculos, escrita, esportes...

Na escola, tinha boas notas até a quarta série. A medida que os conteúdos foram ficando mais complexos, minhas notas despencaram.

Por volta dos 12 anos, comecei a jogar Xadrez. Participei frequentemente de torneios até os 17 anos, mais ou menos. Nunca consegui nada de muito expressivo, no máximo um 12º lugar no Campeonato Brasileiro Sub 14.

Campeonato são-borjense de xadrez, 1996 (São Borja, RS)

Próximo de completar 22 anos, descobri o boxe. É um esporte apaixonante, assim como o Xadrez. Apesar de conseguir até mesmo títulos estaduais (o que significa quase nada em um país como o Brasil, sem muita expressão no pugilismo), mantive a mesma toada do xadrez, sendo um atleta medíocre.
Lutei boxe por 7 anos, o suficiente para aprender algumas coisas. Desenvolvi algumas poucas habilidades de luta.

Luta em Monte Caseros, Argentina, em 2012.


Perto dos 30 anos, comecei a participar de provas de corrida de rua (rústica). O boxe exige muito fôlego, por isso já corria como parte do treinamento pugilístico. Hoje em dia, ainda faço algumas corridas leves, mesmo estando distante de qualquer atividade competitiva.
Xadrez, boxe e corrida. Nestas três modalidades, consegui lapidar uma das poucas habilidades que possuo, digna de nota. Esta habilidade é peidar com discrição.

Rústica de Abertura da Temporada - 2014 (Uruguaiana, RS)

Começou no xadrez, durante os torneios. Posição difícil. Muita tensão no ar. De repente, aquela vontade de peidar. Eu me inclinava, fingindo estar calculando algumas jogadas. Na verdade, era um artifício para largar o flato vagarosamente, sem barulho.

Era difícil. Talvez por ser adolescente, a parte hormonal dava um toque mais marcante nas notas (não musicais, pois eram silenciosos) do aroma. E tinha o problema de ser uma atividade estática. O cheiro logo me desmascarava. Era mais fácil sair do ambiente. Entretanto, algumas vezes, na impossibilidade de sair, fui obrigado lançar mão de técnicas, as quais passei uma vida inteira lapidando.

No boxe, era mais fácil em algumas situações, mais difícil em outras. Quem já tentou peidar discretamente em um sparring sabe do que estou falando!

Pelo dinamismo da atividade, tive que refinar a técnica. Cheguei no nível de peidar pulando corda. É difícil no início, mas com o tempo aprendi a acomodá-lo, sincronizando com o pulo e  o movimento de pés. Se um dia eu decidir me aventurar como técnico de boxe, essa será uma das primeiras lições que ensinarei para aqueles que pretenderem treinar mais à sério.

Meu último estágio foi conseguir peidar durante a corrida, com fones de ouvido. É necessário ter uma certa técnica na passada e algum controle do esfincter (mais do que ao peidar pulando corda). Só atingi esse nível graças à prática de Yoga, à qual passei a me dedicar depois de encerrar minhas carreiras esportivas.

O Yoga me deu um controle mental e corporal maior, inclusive me ajudando, no aspecto mental, quando eu falhava e peidava com um som absurdamente alto durante a corrida (isso aconteceu algumas vezes).  Fracassei muito na arte de peidar discretamente, antes de chegar ao nível que atingi hoje.

Prática de Yoga em São Francisco de Paula (RS), 2016


Hoje, mesmo correndo em um ritmo moderado e com fones de ouvido, consigo controlar a altura e peidar sem ser notado, sincronizando a passada com a soltura do gás. É quase artístico, eu diria.

Claro, deve haver muita gente melhor que eu por aí, dominando técnicas que eu sequer imagino. Não sou um homem de muitos talentos. Nenhum, eu diria. Entretanto, consegui aprender alguma coisa nessa vida.





quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Dicas do Éd #1

Apesar de minha formação ser licenciatura plena, jamais exerci o ofício de professor, tampouco me sinto capacitado para ministrar aula do que quer que seja.
Entretanto, seu eu pudesse dar um ensinamento, conselho ou dica para vocês, eu diria o seguinte:

EVITE A FLATULÊNCIA QUANDO ESTIVER COM FONES DE OUVIDO!

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Sonhos do Éd #36 - O livro que foi ao infinito

Clareava o dia, temperatura agradável. Saí para o pátio da minha antiga residência, com o livro A Arte da Meditação, de Daniel Goleman. 



No sonho, era uma edição com capa dura, maior do que o livro que realmente tenho, que é uma versão de bolso.

Com o livro em mãos, no meio do pátio, grito: "Budaaaaaaaaaaaaaaa...." e jogo o livro para o céu. 

O livro sobre, sobe, sobe... E desaparece no infinito.

Após, fiz uma dedicação de méritos (algo como uma oração para que todos os seres sencientes encontrem felicidade e se libertem do sofrimento) e acordei.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

sábado, 6 de dezembro de 2014

Sonhos do Éd #35 - Cilada

Eu estava indo trabalhar em uma Eco Sport cinza que havia comprado há uma semana. Manobrando em uma rua, quase caio na sarjeta, que era funda. Graças ao potente motor, saio sem maiores dificuldades. Logo atrás de mim, vejo uma mulher em apuros com o carro. Ofereço ajuda.

Não lembro qual o problema tinha o carro dela, mas ela revelou que estava indo fazer uma determinada tarefa e me perguntou onde deveria ir. E a tal tarefa, era exatamente a minha função profissional. Digo para ela algo como: "É ali que tu tem que ir [há uma quadra do local onde estávamos]. Sou eu mesmo que vou fazer isso pra ti".

No sonho, Uruguaiana era bastante pequena. Um lugar onde todos se conheciam. A tal mulher era uma forasteira e tinha se identificado como médica do Exército.

Corta. Chego na casa de minha mãe, em Porto Alegre. Mas eu não estava indo trabalhar?  E em Uruguaiana? Pois é, meus sonhos têm falhas terríveis no enredo.

Passo pelo corredor da entrada do apartamento e encontro aquela mulher na sala. Acho estranho. Volto até a entrada, procurando por algum morador da casa. Vejo minha mãe no tanque, lavando roupas. Volto para a sala, para saber como e por que a mulher tinha entrado na residência de minha mãe. Ela não está na sala. Sigo a procurando. Vou até o quarto e ela está pelada na cama, coberta por um lençol.

Atraente.Constrangedor. Embaraçoso. O que afinal está acontecendo?

Imediatamente algo é revelado no sonho. Minha namorada está a caminho, pois havíamos combinado de se encontrar na casa de minha mãe.

Em uma fração de segundo, entendo tudo. Era uma cilada. Armaram pra mim.

Eu digo:

-Então era isso que vocês queriam ?  Vocês vão ver só! (Em tempo: não sei quem são "vocês")

E pulo pela janela, em um mergulho quase artístico. Minha genitora mora no terceiro andar. Porém, antes de chegar ao chão, começo a flutuar e inicio uma subida, cantando a música tema do filme "Top Gun": Take My Breath Away  (na verdade, a música toca em seu áudio original, como trilha sonora do sonho).

Ao passar pela janela de onde pulei, a mulher está lá, me xingando, agora com sua forma real: uma espécie de Pomba Gira.

Sigo subindo, agora em forma de espírito. Ao me elevar acima do prédio, já estou entrando em um estádio (tipo esse), lotado de espíritos de pessoas vivas que estavam dormindo naquele momento e foram prestigiar minha performance musical.

A música ainda toca. De repente, estou em tamanho gigante (umas 10 vezes maior do que sou) e a trilha muda para Michael Jackson. Estou flutuando no meio do estádio e um pouco acima. Começo a cantar Billie Jean.

Então, o auge: começo a dançar Moonwalk, ainda flutuando. Estou arrasando.

Acordo, esboçando um leve sorriso. Minha noite foi demais.

Sonhado no mês de Novembro de 2014.

domingo, 7 de setembro de 2014

His(Es)tórias do Éd #8 - Qual o preço da sua honestidade ?

Recentemente, completaram 4 meses que meu pai faleceu. Na verdade eu não queria escrever sobre isso, pois até onde eu lembro, não escrevi sobre ele enquanto esteve vivo.

Entretanto, posto aqui um dos grandes ensinamentos que ele me deixou.

Foi pelos idos de 1995, em Porto Alegre. Contava eu com poucos(bem poucos) anos de idade. Fizemos compras em um mercadinho perto da casa dele. Faltou um valor relativamente irrisório (R$ 0,15 ou  R$1,15), que o comerciante permitiu que fossem pagos posteriormente. Vale ressaltar que a quantia valia bem mais naqueles princípios de Plano Real.

Quando chegamos em casa, eu falei que não precisaríamos mais pagar, pois já tínhamos levado as compras. Meu pai então respondeu que não, pois se fizéssemos isso, as pessoas perderiam a confiança na gente.

Naquele momento, com minha pouca idade, aprendi que aquela "esperteza" que eu cogitei não valia a economia daquele ato e me senti envergonhado por ter pensado em tal coisa. Imediatamente "criei um valor", pois a minha ideia, na época, não era desonestidade, mas sim a ausência de uma experiência semelhante que fosse significativa (Tabula Rasa ?), ou simplesmente "inocência de criança". Por mais que eu tivesse consciência que não pagar uma dívida fosse errado, eu não tinha experimentado até então a situação na prática, nunca tinha refletido sobre o assunto de maneira empírica.

Meu pai sempre foi muito didático, e a forma polida e instrutiva como ele colocou em questão a sua forma de pensar, me levou a concluir de que ele estava certo (e realmente estava).

Essa experiência foi tão significativa que "ser uma pessoa em quem as pessoas possam confiar" tornou-se algo que sempre busquei em minha vida, e talvez tenha influenciado algumas escolhas que fiz na vida.

Não tenho na lembrança o momento em que meu pai pagou a pendência (eu não devia estar junto,ou não lembro mesmo), mas creio que a diferença tenha sido quitada.

Este fato tomou maior relevância ainda quando, algum tempo após, outra pessoa da família me mandou comprar uma caixa de chá preto no bolicho, com uma moeda de 50 centavos. Chegando no armazém, o preço era R$ 0,55. O bolicheiro deixou eu levar o chá e disse para eu levar depois a diferença. Após entregue o chá para a pessoa que solicitou, fui xingado por querer ir ao local saldar a dívida...