sábado, 7 de abril de 2012

Sonhos do Éd #27 - His(es)tórias do Éd #3

Não sei se essa postagem é um sonho ou uma His(es)tória do Éd... Por via das dúvidas, decidi publicar esta postagem híbrida.

Hoje à noite sonhei que eu estava fazendo compras em um mercado, misto de Baklizi (da rua Gen. Canabarro em Uruguaiana) e o antigo Fronteira (São Borja). Lá pelas tantas (depois de rodar por todo o mercado), resolvi ir dar uma olhada nos bolos, só que no meio do caminho resolvi mudar de idéia e fui pegar um pão. Nesse caminho, ainda passei por uma promoção nos refrigerantes: 2 garrafas pet de 600ml com um pão de formato de panettone (sem embalagem nenhuma) por R$ 9 e uns quebrados. Bem no fim acho que não peguei pão nenhum, mas vi um trabalhador levando o seu pão d'água "para as crianças".

Neste momento, aconteceu algo incrível. Eu comecei a pensar como se fosse eu mesmo, no sonho. Aí então que este post passa de sonho para uma His(es)tória:

Quando eu era criança, eu tinha vontade de mudar o mundo. Ainda tenho, na verdade. A primeira coisa que decidi que faria para mudar o mundo foi que eu seria um adulto que tomaria café da manhã e comeria doces. 

Digo isso porque cresci em um meio onde adultos raramente comiam doces e nunca tomavam café da manhã. Nesse mundo incrivelmente chato dos adultos, o pão e o leite eram apenas para as crianças, assim como escovar os dentes. E isso tudo, lá na minha distante (mas nem tanto) infância, me parecia uma tremenda chatice. Ainda hoje, já do lado de cá, continuo achando estranho esse hábito, e tenho me esforçado bastante para mudar o mundo (pelo menos nesse sentido). 

Interessante notar que esse pensamento começou no sonho, então fui gradualmente acordando, enquanto desenvolvia o raciocínio. Levantei, tomei meu café e vim escrever o texto. Mudar o mundo não é tarefa fácil.

Hipócritas !

Talvez eu já tenha dito isso por aqui, mas não custa dizer mais uma vez. A sociedade é hipócrita. 

Li uma matéria sobre um homicídio de um empresário de Porto Alegre, através de um link em uma rede social. E nos comentários do link, diversas pessoas comentando sobre o horror, a barbárie e o absurdo de termos que viver atrás das grades, enquanto os bandidos estão soltos (clichê). Concordo que realmente o crime do homicídio em si é um horror. Creio que seja, aliás. Eu nunca fui assassinado. O ruim mesmo é para quem fica, com a dor da perda e muitas vezes presenciando a impunidade.

Não é isso que quero criticar. O que despertou minha ira foi ler um comentário dizendo que determinado jornal tinha dado pouco espaço para esse homicídio de empresário (pelo que entendi foi só uma nota, não um matéria de página inteira, no tal jornal). Igualzinho muitos homicídios na capital e interior do estado, que apenas recebem poucas linhas nos jornais (até porque não tem espaço pra todos).

Quer dizer que neguinho no fundão da vila pode ser executado com vários tiros e ganhar só uma nota de rodapé no jornal, mas o empresário ricaço não ? As elites são hipócritas. Pagam de benfeitores dos animaizinhos, enquanto filhotes de  sua espécie morrem de fome. Pobre vileiro pode ser assasinado à vontade, na frente de casa. Rico não. E no bairro nobre então... Barbárie ! Pena de morte para o assassino ! Aonde esse Brasil vai parar ?!

O Brasil não vai parar em lugar algum meus senhores, ou talvez até já tenha parado... há anos vai nesse ritmo. As estatísticas estão aí para serem apreciadas. Certas pessoas só acordam para realidade quando a criminalidade e a violência batem na sua porta de maçaneta de madrepérola. Aí é o Horror (do Apocalypse Now).

Parafraseando um famoso personagem do cinema brasilero, "... do apartamentinho de vocês, aqui da zona sul, não dá pra ver esse tipo de coisa não."