domingo, 7 de setembro de 2014

His(Es)tórias do Éd #8 - Qual o preço da sua honestidade ?

Recentemente, completaram 4 meses que meu pai faleceu. Na verdade eu não queria escrever sobre isso, pois até onde eu lembro, não escrevi sobre ele enquanto esteve vivo.

Entretanto, posto aqui um dos grandes ensinamentos que ele me deixou.

Foi pelos idos de 1995, em Porto Alegre. Contava eu com poucos(bem poucos) anos de idade. Fizemos compras em um mercadinho perto da casa dele. Faltou um valor relativamente irrisório (R$ 0,15 ou  R$1,15), que o comerciante permitiu que fossem pagos posteriormente. Vale ressaltar que a quantia valia bem mais naqueles princípios de Plano Real.

Quando chegamos em casa, eu falei que não precisaríamos mais pagar, pois já tínhamos levado as compras. Meu pai então respondeu que não, pois se fizéssemos isso, as pessoas perderiam a confiança na gente.

Naquele momento, com minha pouca idade, aprendi que aquela "esperteza" que eu cogitei não valia a economia daquele ato e me senti envergonhado por ter pensado em tal coisa. Imediatamente "criei um valor", pois a minha ideia, na época, não era desonestidade, mas sim a ausência de uma experiência semelhante que fosse significativa (Tabula Rasa ?), ou simplesmente "inocência de criança". Por mais que eu tivesse consciência que não pagar uma dívida fosse errado, eu não tinha experimentado até então a situação na prática, nunca tinha refletido sobre o assunto de maneira empírica.

Meu pai sempre foi muito didático, e a forma polida e instrutiva como ele colocou em questão a sua forma de pensar, me levou a concluir de que ele estava certo (e realmente estava).

Essa experiência foi tão significativa que "ser uma pessoa em quem as pessoas possam confiar" tornou-se algo que sempre busquei em minha vida, e talvez tenha influenciado algumas escolhas que fiz na vida.

Não tenho na lembrança o momento em que meu pai pagou a pendência (eu não devia estar junto,ou não lembro mesmo), mas creio que a diferença tenha sido quitada.

Este fato tomou maior relevância ainda quando, algum tempo após, outra pessoa da família me mandou comprar uma caixa de chá preto no bolicho, com uma moeda de 50 centavos. Chegando no armazém, o preço era R$ 0,55. O bolicheiro deixou eu levar o chá e disse para eu levar depois a diferença. Após entregue o chá para a pessoa que solicitou, fui xingado por querer ir ao local saldar a dívida...