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Corrida da Causa Animal

Hoje foi dia de voltar a ser um “Atleta” de Baixo Rendimento. Ignorando a DECADÊNCIA FÍSICA que avança a passos largos e as várias “peças do corpo” que já deveriam ter sido trocadas, participei da Corrida da Causa Animal em Santa Maria (RS). As circunstâncias não eram favoráveis: 2 anos sem participar de provas (3 anos, se considerar só provas de asfalto), um treininho pra lá de bagaceira, feito por um técnico bem chinelão (eu mesmo) e o pouco tempo de treino específico para competição. E quando tudo indicava um desempenho decepcionante, fui lá e decepcionei: 5km em 20:42. Competitivamente falando, é um tempo bem ruim, acho que dá até cadeia no Quênia. Mas como a prova era no Brasil e não estava muito competitiva (o pessoal foi mais pra ajudar os bichim), acabei pegando um terceiro lugar na faixa etária dos meio véinhos.
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Medo de Peidar Distraído

Tem um vídeo do antigo programa "Matador de Passarinho", apresentado pelo cantor Rogério Skylab, onde ele fala de um medo muito específico dele: cair na rua. Resumidamente, ele afirma que anda muito sozinho e se cair no chão (na rua), pode ser enterrado como indigente, por não andar em grupo e não ter outras pessoas para auxiliá-lo. Confira o trecho abaixo: Eu considero o pavor dele legítimo. Inclusive tenho um temor parecido, mas muito mais provável de acontecer. Eu tenho medo de peidar distraído. Naturalmente perco a atenção muito fácil, seja com pensamentos, com barulhos ou qualquer outra coisa. Aprecio muito estar só e quieto. Em silêncio no silêncio. Também passo muito tempo em casa e evito ao máximo compromissos sociais. Então naturalmente passo bastante tempo sozinho ou na agradável presença da minha esposa. Em qualquer das duas hipóteses, eu peido sem constrangimentos. Juntando o hábito de peidar à vontade com a distração, se arma uma bomba-relógio prestes a explodi...

Elton John, Trump e o Ritmo da Bicicleta

Dia desses eu estava pedalando e alguma peça da bicicleta começou a bater. A cada giro do pedal, o barulho respondia.  Sem parar a bike, olhei para baixo para tentar identificar o problema. Foi então que notei que o compasso era familiar: ela batia no ritmo de "I Guess That’s Why They Call It the Blues", do Elton John.  Parei de investigar a origem do barulho. Afinal de contas, quem não curte Elton John? Apenas lamentei duas coisas: não saber tocar piano e não ter nenhum pianista a postos para acompanhar a musicalidade daquela situação. Divaguei brevemente sobre algo como o ritmo ser o arché do universo e a música flutuar no ar,  invisível aos olhos mas sensível à contemplação. De repente, levei um susto: uma velhinha muito parecida com o Donald Trump estava atravessando a rua.  Não precisei parar, apenas diminuí a velocidade para dar tempo dela passar.  Retomei a pedalada, mas o ritmo já era outro. Uma bicicleta não toca duas vezes o mesmo compasso.

Chinelo Musical

"Acho que ninguém cria uma música. Ela já existe. Ela flutua aqui, passa pelas paredes, fica atrás das cortinas... vai a toda parte. Eu me vejo como uma antena receptora." - Keith Richards falando sobre o seu processo criativo em entrevista para Bruna Lombardi, em 1993. Eu não entendo nada de música. Não tenho ouvido para identificar as notas e nem toco nenhum instrumento musical. O máximo que já consegui foi soprar uma flauta doce e emitir algumas notas desafinadas. Entretanto, eventualmente eu consigo perceber rudimentos de música em eventos do cotidiano. Talheres caindo, batidas na porta e até mesmo peidos. Talvez a música esteja mesmo no ar. Eu já dei um peido, por exemplo, que soou como algumas notas iniciais de Entre Dos Águas , de Paco de Lucía. Outra vez eu presenciei um colega batendo em uma porta que soou como a introdução de Olhar 43 , do RPM. Dia desses eu estava indo para academia. Um pouco antes de chegar, vi uma senhora andando na minha frente, junto com uma cr...

O agarrar não tem fim. O soltar sim.

 "(...) a felicidade é apenas uma forma refinada de sofrimento. O sofrimento em si é a forma grosseira. Você pode compará-los a uma cobra. A cabeça da cobra é a infelicidade, a cauda da cobra é a felicidade (...) mesmo se você segurar a cauda, ela irá se voltar e mordê-lo do mesmo jeito, porque ambos, a cabeça e a cauda, pertencem à mesma cobra." - Ajahn Chah, monge budista  da Tradição das Florestas do budismo Theravada. Vi uma postagem em rede social de uma estampa de camiseta. A imagem da estampa era uma cobra mordendo o próprio rabo, com a seguinte citação: "para cada fim, um novo ciclo". A posição da cobra formava o símbolo do infinito. Não reproduzo a imagem aqui por questões de direitos autorais e por não querer causar nenhum tipo de perturbação ao autor. Muito provavelmente a pessoa que criou a estampa, pensou na tristeza dos finais de ciclo e na esperança dos inícios, das novidades.  Algo como:  "Que pena, acabou :(".  "AIQSHOW, um novo ciclo...