Tem um vídeo do antigo programa "Matador de Passarinho", apresentado pelo cantor Rogério Skylab, onde ele fala de um medo muito específico dele: cair na rua. Resumidamente, ele afirma que anda muito sozinho e se cair no chão (na rua), pode ser enterrado como indigente, por não andar em grupo e não ter outras pessoas para auxiliá-lo. Confira o trecho abaixo: Eu considero o pavor dele legítimo. Inclusive tenho um temor parecido, mas muito mais provável de acontecer. Eu tenho medo de peidar distraído. Naturalmente perco a atenção muito fácil, seja com pensamentos, com barulhos ou qualquer outra coisa. Aprecio muito estar só e quieto. Em silêncio no silêncio. Também passo muito tempo em casa e evito ao máximo compromissos sociais. Então naturalmente passo bastante tempo sozinho ou na agradável presença da minha esposa. Em qualquer das duas hipóteses, eu peido sem constrangimentos. Juntando o hábito de peidar à vontade com a distração, se arma uma bomba-relógio prestes a explodi...
Dia desses eu estava pedalando e alguma peça da bicicleta começou a bater. A cada giro do pedal, o barulho respondia. Sem parar a bike, olhei para baixo para tentar identificar o problema. Foi então que notei que o compasso era familiar: ela batia no ritmo de "I Guess That’s Why They Call It the Blues", do Elton John. Parei de investigar a origem do barulho. Afinal de contas, quem não curte Elton John? Apenas lamentei duas coisas: não saber tocar piano e não ter nenhum pianista a postos para acompanhar a musicalidade daquela situação. Divaguei brevemente sobre algo como o ritmo ser o arché do universo e a música flutuar no ar, invisível aos olhos mas sensível à contemplação. De repente, levei um susto: uma velhinha muito parecida com o Donald Trump estava atravessando a rua. Não precisei parar, apenas diminuí a velocidade para dar tempo dela passar. Retomei a pedalada, mas o ritmo já era outro. Uma bicicleta não toca duas vezes o mesmo compasso.