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Quase Acidentes e Pandemias

Era uma agradável manhã ensolarada do verão de 2018. Tenho quase certeza que era um domingo. Orla de Balneário Camboriú.

Fui atravessar a rua, quase nenhum carro. Mas esqueci de um detalhe, a ciclovia. Ao contrário de Uruguaiana, a ciclovia de BC é muito utilizada.

O cenário.


Quando me dei conta, a bicicleta já estava em cima, freando bruscamente. Parou. Ninguém se machucou, mas me assustei por um instante, o ciclista também. Me desculpei e retomei a caminhada. Mas a mulher que acompanhava ele começou a falar sem parar: "meu deush, meu deush, meu deush...", em um tom entre atônita e desesperada, com aquele típico sotaque pseudo-carioca de Floripa.

Não era para tanto. Um sustinho, desculpas e cada um para o seu lado. Entretanto, eu segui minha caminhada e ela ficou ali, em choque. Deve ter ficado vários minutos assim.

Aquela pessoa devia estar tão apegada aos seus costumes do cotidiano de trabalho-comprinhas-casa, que não pensa sobre a vida, sobre o que afinal de contas importa neste mundo artificial em que vivemos.

Quem aí nunca ouviu/falou, "não quero nem pensar nisso", se referindo à algo julgado bastante ruim (geralmente relacionado à morte de alguém)? Infelizmente, coisas ruins acontecem. E nós iremos todos morrer em algum momento.

Mas é mais fácil se distrair do que refletir. E não por acaso, as pessoas que gostam de uma boa reflexão são vistas como chatas e desagradáveis.

Lembro que na ocasião, saí pensando sobre como as pessoas não estão preparadas para serem expostas a esse tipo de choque. Nada que quebre as suas rotinas. Como um acidente, por exemplo.

Ou uma pandemia, eu acrescento hoje.


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