Pular para o conteúdo principal

Barulho da internet discada


Meu primeiro contato com a internet foi lá por 1999 ou 2000. Lembro que o primeiro site que acessei foi o da Brahma.

Foi um grande dia. Meu pai ligou para saber se tinha dado tudo certo (era internet discada ainda). Lembro que ele estranhou o fato de o meu primeiro acesso ter sido o site da Brahma, pois eu nunca fui consumidor de cerveja.

Guaraná Brahma da época. Fonte da imagem: https://supercolecao.com/colecoes/latas/guarana-brahma/3073


Explico: a gente consumia Guaraná Brahma lá em casa. Eu vi o site no rótulo e anotei para acessar. Achei que a página do Guaraná seria diferente do site da cerveja.

Eu tinha uma listinha de endereços web anotados, para visitar. Talvez eu ainda tenha guardada a agenda onde os anotava, para poder acessar quando finalmente a internet estivesse configurada.

O acesso me proporcionava um encantamento, mais ou menos como o início na escola. Um universo de informações se abria a cada conexão. E se expandia a cada segundo (ainda se expande).

A marca desse encantamento, com certeza é o barulhinho da discagem. Talvez essa seja a única saudade que tenho da conexão discada. 

Era muito legal ouvir o som do modem se conectando, a expectativa da conexão. Era como se eu estivesse chegando em um futuro imaginado por um filme de ficção científica.

E depois daquele barulhinho, pronto, estávamos conectados ao mundo.




Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

O agarrar não tem fim. O soltar sim.

 "(...) a felicidade é apenas uma forma refinada de sofrimento. O sofrimento em si é a forma grosseira. Você pode compará-los a uma cobra. A cabeça da cobra é a infelicidade, a cauda da cobra é a felicidade (...) mesmo se você segurar a cauda, ela irá se voltar e mordê-lo do mesmo jeito, porque ambos, a cabeça e a cauda, pertencem à mesma cobra." - Ajahn Chah, monge budista  da Tradição das Florestas do budismo Theravada. Vi uma postagem em rede social de uma estampa de camiseta. A imagem da estampa era uma cobra mordendo o próprio rabo, com a seguinte citação: "para cada fim, um novo ciclo". A posição da cobra formava o símbolo do infinito. Não reproduzo a imagem aqui por questões de direitos autorais e por não querer causar nenhum tipo de perturbação ao autor. Muito provavelmente a pessoa que criou a estampa, pensou na tristeza dos finais de ciclo e na esperança dos inícios, das novidades.  Algo como:  "Que pena, acabou :(".  "AIQSHOW, um novo ciclo...

Medo de Peidar Distraído

Tem um vídeo do antigo programa "Matador de Passarinho", apresentado pelo cantor Rogério Skylab, onde ele fala de um medo muito específico dele: cair na rua. Resumidamente, ele afirma que anda muito sozinho e se cair no chão (na rua), pode ser enterrado como indigente, por não andar em grupo e não ter outras pessoas para auxiliá-lo. Confira o trecho abaixo: Eu considero o pavor dele legítimo. Inclusive tenho um temor parecido, mas muito mais provável de acontecer. Eu tenho medo de peidar distraído. Naturalmente perco a atenção muito fácil, seja com pensamentos, com barulhos ou qualquer outra coisa. Aprecio muito estar só e quieto. Em silêncio no silêncio. Também passo muito tempo em casa e evito ao máximo compromissos sociais. Então naturalmente passo bastante tempo sozinho ou na agradável presença da minha esposa. Em qualquer das duas hipóteses, eu peido sem constrangimentos. Juntando o hábito de peidar à vontade com a distração, se arma uma bomba-relógio prestes a explodi...